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"Acho este país um dos mais belos do mundo.
Sua tropicalidade não se prende unicamente ao fator climático, mas à personalidade deste povo visualmemte empenhado em assentar raízes dentro do aspecto regionalista pátrio de cada região, por um todo.
Mesclaram-se etnológica e culturalmente a ponto de sentirem-se brasileiros, mesmo sendo filhos de portugueses.
Aceitam-nos por contingência imposta e até conosco convivem socialmente. Porém, jamais nos aceitarão definitivamente.
O mesmo não se permite falar dos portugueses, que não assimilaram esta tropicalidade. Aceitaram a nossa presença e até reconheceram a nossa posse sobre a terra que lhes conquistamos. Quanto a estes, nossa administração é mansa e pacífica e eventualmente óbvia pelo esbulho compulsório, com preços que variam desde um alto cargo no governo flamengo da colônia, até alguns florins para gastos em tabernas. É portanto, uma ocupação em caráter "ad infinitum" no que concerne a eles.
Quanto aos primeiros, exige-se uma reflexão minuciosa recheada de precauções, pois estes não têm preço. Se alguns, de certa forma, a nós se uniram, o fizeram com o único intuito de abreviar o domínio português na terra para, posteriormente, também abreviar a nossa permanência. Estes somente com muita diplomacia e, segundo constatamos, mediante uma miscigenação sociocultural, dividindo-nos com eles e dividindo-os conosco, se aqui quisermos permanecer.
Os índios, colonos e negros estão unidos em um espírito de liberdade jamais conhecido nas cortes européias. Portanto, se aceitarmos este espírito de liberdade como ponto básico, poderemos, através de uma contribuição cultural, científica e artístia, nos fazer necessários por largo espaço de tempo. Necessito pois da vinda de artistas, médicos, pintores, músicos e outros doutores para que se possa firmar a conquista e para que a Campanha Privilegiada das Índias Ocidentais obtenha lucros correspondentes ao investimento feito.
Estabelecerei comércio com os redutos chamados Quilombos, povoados por ex-escravos que fugiram das fazendas. Pois estes, mais do que todos, repudiam os portugueses, podendo assim, ser nossos aliados contra guerrilheiros que diariamente investem contra a nossa permanência.
Recife, 3 de fevereiro de 1637
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